Carta de candidatura espontânea: exemplo

A carta de candidatura espontânea vai para uma empresa que não anunciou nenhuma vaga, por isso ninguém está à espera dela. Tem de explicar logo nas primeiras linhas porque escreves a esta empresa em particular e que tipo de função podes ocupar. O exemplo abaixo é de um coordenador de logística com experiência que escreve a uma empresa de distribuição em crescimento.

Candidatura espontânea: coordenação logística

Exmo. Senhor Eng. Ricardo Lemos,

Li na imprensa regional que a Armazéns Rio Lima vai abrir, na próxima primavera, um segundo centro de distribuição no Carregado. Sou coordenador de logística, com seis anos de experiência em planeamento de armazéns, e escrevo para perguntar se virão a precisar de apoio na coordenação do novo espaço.

Na Alimentar Serra Verde planeio as entregas a um armazém de 40 000 m² que movimenta cerca de 900 paletes por dia. No ano passado introduzi um sistema de marcação de janelas de entrega para os fornecedores, que reduziu o tempo de espera dos camiões à porta de uma média de 70 minutos para 25 e diminuiu em 18% as horas extraordinárias da equipa de receção de mercadorias.

Na abertura de um novo espaço é quando esses processos mais pesam, e fiz parte da equipa que transferiu a operação de produtos refrigerados da Serra Verde para um novo edifício, em 2024. Sei o quanto o arranque depende de acertar, nas primeiras semanas, os calendários dos fornecedores e os horários dos turnos.

Anexo o meu CV e terei todo o gosto em conversar sobre o modo como poderia ajudar na abertura do Carregado, seja como coordenador, seja num projeto a termo certo. Telefonarei para o vosso gabinete na próxima quinta-feira, para saber se uma breve conversa seria útil.

Agradeço a atenção dispensada.

Com os melhores cumprimentos,

Tiago Fonseca

Os nomes, as empresas e os valores dos exemplos são fictícios.

Porque é que esta carta espontânea funciona

  • Abre com um motivo para escrever agora: uma notícia pública sobre a empresa. É isso que torna oportuna uma carta não solicitada.
  • Diz que tipo de função oferece, para que o leitor não tenha de adivinhar onde ele encaixaria.
  • O parágrafo de prova é um problema que o novo espaço também vai ter, com números do emprego atual.
  • Oferece flexibilidade (efetivo ou a termo certo), o que facilita o sim quando não há uma vaga orçamentada.
  • Termina com um passo seguinte concreto. As candidaturas espontâneas esquecem-se com facilidade, por isso um contacto educado de seguimento faz parte do plano.
Como fazer o acompanhamento depois de enviar o CV

Como enviar uma candidatura espontânea

Encontra um motivo para escrever

Uma expansão, um novo contrato, um novo escritório, o lançamento de um produto ou a contratação recente de alguém da tua área são boas aberturas. Procura nas páginas de notícias da empresa, na imprensa económica local e nas publicações do LinkedIn.

Escreve a uma pessoa, não a uma caixa de correio

Um responsável de equipa ou de departamento pode criar uma função; um endereço genérico de recrutamento raramente o faz. Dirige a carta a alguém pelo nome e põe os Recursos Humanos em cópia se a empresa o pedir.

Sê claro sobre o que pedes

Indica o tipo de função, o nível e se estás aberto a trabalho temporário ou por projeto. Um leitor consegue agir perante uma oferta clara; não consegue agir perante “qualquer oportunidade”.

Como fazer networking para encontrar emprego

Erros a evitar

  • Abrir com “Venho por este meio saber se têm alguma vaga disponível”. Não dá ao leitor nada a que reagir.
  • Enviar a mesma carta a cinquenta empresas. As cartas espontâneas só funcionam quando o motivo para escrever é concreto.
  • Pedir “qualquer posição”. Sugere que não pensaste onde serias útil.
  • Esquecer-te de anexar o CV ou de incluir um número de telefone.
  • Fazer seguimento mais de uma ou duas vezes. Um telefonema ou email educado uma ou duas semanas depois é suficiente.

Perguntas frequentes

O que é uma carta de candidatura espontânea?

É uma carta que envias a um empregador que não anunciou nenhuma vaga, a perguntar se poderia aproveitar alguém com as tuas competências. Também se chama autocandidatura.

As candidaturas espontâneas resultam mesmo?

Podem resultar, sobretudo em empresas pequenas e em crescimento, que preenchem muitas funções antes de as anunciarem. Funcionam melhor quando a carta é dirigida a um responsável, pelo nome, e dá um motivo claro para escrever agora.

A quem devo enviar uma carta espontânea?

Ao responsável da equipa a que queres juntar-te, ou ao diretor do departamento. Se a empresa pedir que todas as candidaturas passem pelos Recursos Humanos, envia para lá, mas dirige a carta ao responsável relevante na saudação ou no assunto.

Devo fazer seguimento de uma candidatura espontânea?

Sim, uma vez. Espera cerca de uma ou duas semanas e depois telefona ou escreve a perguntar se a carta chegou e se uma breve conversa seria útil. Se não houver resposta, avança para outra.

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